Daí Rocha compartilha a trajetória que moldou sua forma de liderar e defende que negócios mais inovadores nascem da colaboração, da diversidade e de oportunidades reais para mulheres ocuparem posições de decisão

O empreendedorismo feminino nunca esteve tão em evidência. Ainda assim, para quem vive o mercado diariamente, o desafio deixou de ser provar a capacidade das mulheres de empreender e passou a ser garantir que elas tenham acesso aos mesmos espaços de decisão, investimento e crescimento.

É essa a avaliação de Daí Rocha, CEO da Ragatanga, agência especializada em diversidade e influência. Antes de criar a empresa, ela construiu sua carreira em grandes multinacionais e, em três delas, era a única mulher da equipe. A experiência ajudou a definir o tipo de liderança que buscaria exercer quando assumisse o próprio negócio.

“Passei boa parte da minha trajetória observando diferentes modelos de liderança. Aprendi com profissionais excelentes e também com situações que jamais gostaria de repetir. Não acredito que exista uma forma feminina ou masculina de empreender. Somos resultado das nossas referências e das escolhas que fazemos ao longo da carreira. A forma como lideramos também revela quem somos fora do ambiente de trabalho.”

Hoje, à frente da Ragatanga, Daí defende uma gestão baseada na construção coletiva. Para ela, empresas mais criativas, competitivas e sustentáveis surgem quando as pessoas são vistas como protagonistas do negócio e não apenas como recursos para atingir metas.

“A escuta, a colaboração e o planejamento fazem parte da liderança que acredito. Quando as pessoas encontram um ambiente de confiança para participar, inovar deixa de ser um discurso e passa a acontecer naturalmente.”

Apesar dos avanços na discussão sobre empreendedorismo feminino, a executiva acredita que o mercado ainda precisa enfrentar um problema estrutural.

“As mulheres sabem criar oportunidades. O que ainda falta é espaço. Espaço para liderar, acessar investimentos, participar das decisões e receber uma remuneração compatível com o valor que entregam. Quando essas barreiras diminuem, o crescimento acontece.”

Para quem deseja empreender, Daí também faz um alerta sobre a pressão para reproduzir modelos de sucesso já existentes.

“Não vale a pena construir uma carreira tentando copiar alguém. Desenvolva repertório, conheça o mercado, fortaleça sua capacidade de criar relações verdadeiras e tome decisões alinhadas aos seus valores. Liderança não significa ter todas as respostas, mas reunir pessoas em torno de um propósito e gerar confiança. No fim das contas, empresas são feitas de pessoas, e reputação continua sendo um dos ativos mais importantes de qualquer negócio.”

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