Gravidez, anticoncepcional e hormônios exigem atenção redobrada com a circulação feminina
O mês da mulher é uma oportunidade importante para ampliar o debate sobre temas que impactam diretamente a saúde feminina em todas as fases da vida. Entre eles, a saúde vascular ainda é pouco discutida, apesar de estar relacionada a mudanças hormonais, à gravidez e ao uso de anticoncepcionais. Compreender como esses fatores interferem na circulação é essencial para prevenção, diagnóstico precoce e qualidade de vida.
Durante a gestação, o corpo da mulher passa por transformações profundas que afetam diretamente o sistema circulatório. O aumento do volume sanguíneo, a ação dos hormônios e a compressão das veias pelo útero favorecem o surgimento ou agravamento das varizes, especialmente nas pernas. Segundo Dra. Aline Helena, cirurgiã vascular formada pela Unesp Botucatu, esse quadro é comum e merece acompanhamento. “A gravidez é um período em que a circulação venosa trabalha sob maior pressão. As varizes não são apenas uma questão estética, elas podem causar dor, inchaço e sensação de peso, e precisam ser avaliadas para evitar complicações”, explica.
Outro ponto que exige atenção é a relação entre anticoncepcional hormonal e o risco de trombose. Embora os métodos sejam seguros para a maioria das mulheres, existem fatores individuais que podem aumentar esse risco, como histórico familiar, tabagismo, obesidade e sedentarismo. “O anticoncepcional pode aumentar a tendência à coagulação do sangue, principalmente em mulheres que já possuem fatores de risco associados. Por isso, a escolha do método contraceptivo deve ser sempre individualizada e orientada por um médico”, destaca a especialista.
As alterações hormonais ao longo da vida feminina também influenciam diretamente a circulação. Puberdade, gestação, pós-parto e menopausa são fases marcadas por oscilações hormonais que podem impactar o funcionamento das veias. De acordo com a Dra. Aline Helena, “os hormônios femininos, especialmente o estrogênio e a progesterona, interferem no tônus das paredes das veias, o que pode favorecer a dilatação venosa e a sensação de pernas cansadas. Observar esses sinais e buscar orientação médica faz toda a diferença”.
Falar sobre saúde vascular da mulher é falar de prevenção, informação e autocuidado. Hábitos como manter uma rotina de atividade física, evitar longos períodos sentada ou em pé, cuidar do peso e realizar avaliações médicas regulares são aliados importantes da circulação saudável. No mês da mulher, o convite é claro: olhar para o próprio corpo com mais atenção e entender que cuidar das veias também é cuidar da saúde como um todo.
(Foto: divulgação)
