Muitas pessoas não têm ideia do poder avassalador que uma palavra carrega. O que alguns chamam de “crítica construtiva” ou “conselho para melhorar”, na verdade, é um veneno sem filtro que destrói a alma de quem escuta.
Fui casada por 25 anos com um alcoólatra. No final do casamento, as palavras dele acabaram comigo. Todos os dias eu ouvia: “Você é feia, velha, chata e doente”. Aquilo foi me moendo por dentro. Um dia, entre lágrimas, perguntei o que especificamente eu precisava melhorar. A resposta dele foi seca: “Tudo”. Naquele instante, meu chão sumiu e me perguntei se não havia nada em mim que se aproveitasse.
Essas agressões diárias minaram meu brilho. Passei a me achar inútil, sem valor, e desisti de viver. Tentei o suicídio. No leito do hospital, ouvi o médico dizer para a minha filha: “Sua mãe não tem chances”. Senti uma lágrima quente no meu rosto. Era a minha filha chorando, dizendo que me amava e que precisava de mim. Ali, na UTI, percebi meu valor. Reuni minhas últimas forças, orei a Deus, pedi uma segunda chance e prometi fazer diferente.
Ao voltar para casa, tomei a decisão mais libertadora da minha vida: o divórcio. Quando você está em uma relação abusiva, é como viver na escuridão profunda; a vida perde o sabor, tudo fica embaçado e a vontade de levantar da cama desaparece. Mas, ao me libertar, passei a enxergar a beleza nas pequenas coisas e reconstruí minha história.
As pessoas precisam ser mais humanas com a dor que causam a quem um dia juraram amar. Palavras podem matar, mas o amor-próprio e a decisão de recomeçar têm o poder de nos resgatar da UTI da vida.
Sobre a autora
Eu, Sandra Campos, perdi meu filho de 24 anos para o suicídio. Transformei a dor em propósito e hoje sou ativista pela vida no projeto “Não te julgo, te ajudo!”, oferecendo acolhimento e escuta amiga.
Não passe por esse peso sozinho.
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